Ilustração NIK
Acaba de acontecer, em São Paulo, o IV Congresso Brasileiro de Nutrição - Ganepão 2011, evento que trouxe as mais relevantes discussões sobre alimentação. O endocrinologista Marcello Bronstein, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo falou sobre o papel do carboidrato presente em pães, massas e biscoitos na dieta.
Durante sua aula, o especialista apontou o crescimento da obesidade no Brasil e a busca por "fórmulas mágicas" de emagrecimento. "Dietas que pregam a restrição de carboidratos são bastante populares, entretanto não existem estudos que mostrem sua eficácia a longo prazo", ressaltou. Segundo Bronstein, esses planos alimentares costumam apresentar bons resultados apenas no começo. Afinal, são diversos os mecanismos que levam ao ganho exagerado de peso e não dá para culpar apenas um nutriente.
Na obesidade o grande inimigo é o exagero. Aliás, em termos calóricos o carboidrato é igual a proteína, ou seja, oferece 4 calorias por grama. Já a gordura tem 9 calorias, ou seja, mais que o dobro.
"Um recente estudo realizado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos e publicado em um dos mais respeitados periódicos científicos, o New England Journal of Medicine, mostra que para emagrecer o que importa mesmo é cortar calorias e não banir o carboidrato, como muitos apregoam", salientou.
Modismos sem o menor fundamento científico também acabam levando à exclusão de cereais fontes de glúten da dieta. Para o endocrinologista, é preciso separar o joio do trigo para não privar o organismo de nutrientes importantes. Inclusive os alimentos integrais podem ser grandes aliados para combater a obesidade. Uma pesquisa realizada na Universidade do Estado da Pennsylvania, nos Estados Unidos, revela que os grãos são capazes de combater a barriga de chope. Eles teriam impacto sobre o acúmulo de gordura na região abdominal, ou seja, ajudam a afinar a cintura.