Foto: Silvia Zamboni
Quem pratica atividades físicas precisa comer direito. A dica é rechear o cardápio com todos os nutrientes, assegurando boas doses de carboidrato. Além de ajudar a repor a energia perdida, o nutriente preserva os músculos. Isso mesmo. Diferentemente do que muita gente pensa, não é só a proteína que tem esse papel.
Quando o consumo de carboidrato é insuficiente, o corpo vai buscar reservas energéticas depositadas na massa magra, o que acaba prejudicando a musculatura.
Por isso mesmo, quem é adepto dos esportes não deve entrar na onda das dietas da moda, que restringem substâncias, caso do glúten.
Para falar sobre o assunto, convidamos uma expert em nutrição esportiva, a nutricionista Tânia Rodrigues, diretora técnica da RGNutri Consultoria Nutricional.
Confira agora a entrevista exclusiva.
Trigoésaúde: Qual o papel de alimentos derivados do trigo na dieta de praticantes de atividade física?
Tânia Rodrigues: O trigo e seus derivados são uma fonte de carboidrato, um nutriente que desempenha papel fundamental na produção de energia e recuperação muscular. Por essa razão, os praticantes de atividade física devem dar atenção especial à quantidade a ser consumida, que varia de acordo com a modalidade, a intensidade e o volume de exercícios.
O carboidrato é tão importante quanto a proteína para quem se exercita?
Tânia Rodrigues: Sim, embora as funções sejam diferentes. O carboidrato produz energia e ajuda na recuperação dos músculos, repondo o glicogênio, que é uma espécie de fonte energética do organismo. Já a proteína, com sua função construtora, é fundamental para a reparação das fibras musculares, que podem se romper durante a prática esportiva.
Alguns esportes precisam de um maior consumo de carboidrato?
Tânia Rodrigues: As atividades classificadas como anaeróbias, ou seja, as que não utilizam oxigênio durante o esforço, usam predominantemente o carboidrato como forma de energia. Essas atividades geralmente são as mais intensas e alguns exemplos são as lutas, a musculação e alguns tipos de ginástica localizada.
Quais são as fontes de carboidrato mais indicadas para quem faz ginástica em academia?
Tânia Rodrigues:As melhores fontes de carboidratos são as de fácil digestão e absorção, como as torradas, os biscoitos de água, o macarrão, o arroz, as batatas e o pão.
O que pode acontecer com o esportista se ele se privar de carboidrato?
Tânia Rodrigues: Num primeiro momento, ou no começo do treino, a falta de energia leva a sintomas de fadiga, dor de cabeça, irritabilidade, câimbras e até desmaios. Em períodos mais longos, quando o organismo se adapta à carência de carboidrato, pode haver a perda de massa muscular, já que não haverá reposição ou estoques de glicogênio.
Isso tem alguma relação com o catabolismo? O que é catabolismo?
Tânia Rodrigues: Catabolismo é o processo energético. É quando as moléculas de glicogênio, de gordura e até de proteína se quebram para fornecer energia ao corpo. Sempre que acontece o catabolismo, deve haver o anabolismo, que, ao contrário, repõe as perdas e por isso faz a reserva energética. Quando o catabolismo acontece com mais frequência do que o anabolismo, podem acontecer perdas importantes, inclusive musculares. Também pode ocorrer a falta de substâncias importantes para a produção de hormônios e anticorpos.
Qual a sua opinião sobre dietas que restringem o carboidrato?
Tânia Rodrigues:Não são as melhores escolhas, principalmente se houver a prática de esportes. Volto a dizer que os carboidratos são importantes para garantir energia.
E, mesmo para aqueles que não praticam esportes, pode faltar glicose que é o combustível cerebral. Precisamos de um mínimo de carboidratos para o organismo funcionar direito
E sobre a dieta antiglúten?
Tânia Rodrigues:O glúten é uma proteína ligada ao amido. No trigo, representa 80% de todas as proteínas. Ele está por trás da consistência macia dos pães e dos bolos que habitualmente colocamos na mesa.
Quando não há a intolerância ao glúten, por falta de sintomas e/ou por provas de laboratórios, não há a necessidade de retirá-lo do cardápio.
Entretanto, quando há a confirmação de doença celíaca, devem ser retirados todos os alimentos ou preparações que contenham a substância.
A doença celíaca é autoimune e, por isso, somente crianças e adultos predispostos geneticamente podem ter o intestino delgado sensível ao glúten. Os sintomas são diarreia, flatulência e dores abdominais, com má absorção de nutrientes, que leva à fadiga e a carências nutricionais.
Para saber mais sobre a polêmica Dieta sem glúten, veja a reportagem da revista Saúde!, da Editora Abril
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