Ilustração: Nik
Idosos costumam reclamar da qualidade do sono ou de insônia. Os motivos variam bastante, mas em geral o problema ocorre porque, à medida que envelhecemos, os neurotransmissores que coordenam o sono também envelhecem. Isso não significa, porém, que é impossível dormir tranquilamente após os 65 anos. As medidas recomendadas são as mesmas para qualquer idade: além de buscar à noite maneiras para relaxar e aliviar a tensão do dia, fugir do sedentarismo e ter um ambiente apropriado para um repouso tranquilo, a alimentação também conta.
Pratos ricos em carboidratos contribuem para a produção de serotonina, substância que afasta a ansiedade e combate a insônia, e de melatonina, hormônio que favorece o bom sono. “Essa história de que é preciso abolir as massas e o pão depois das 6 horas da tarde é um mito”, afirma a nutricionista mineira Carmen Zito Pinto Coelho, da Associação Brasileira de Nutrição. “Na verdade, os carboidratos no jantar favorecem o sono reparador.”
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Um prato de macarrão ou uma salada de grãos de trigo vão muito bem na última grande refeição do dia. Os especialistas em nutrição argumentam que o carboidrato, que causa a liberação de insulina, também acelera a produção de triptofano, um aminoácido precursor da serotonina. Níveis elevados de serotonina também são associados à melhora do humor e de sensações reduzidas de dor. O seu oposto é encontrado em pessoas que têm mais dores e estão deprimidas.
Só é preciso evitar refeições pesadas, pois elas demoram mais para serem digeridas. Afinal, durante o sono todo o metabolismo desacelera. Os batimentos cardíacos, a respiração, o processo digestivo, tudo fica mais lento. Por isso, quem devorou um prato cheio, ainda mais se tiver lotado de gordura, pode sofrer com o desconforto abdominal, capaz de dar início à insônia no meio da madrugada.
A nutricionista Carmen Zito Pinto Coelho explica que o jantar deve corresponder a aproximadamente 25% das calorias totais do dia, e a ceia, a 5%. “É importante também não ficar mais de três horas sem se alimentar”, afirma. Comer e depois ir para a cama pode se transformar em pesadelo, pois isso propicia o chamado refluxo gastroesofágico, que provoca o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago e causa azia e queimação. O ideal é fazer a última refeição três ou quatro horas antes de dormir.