Ilustração: Nik
A exemplo do resto do corpo, o cérebro também depende de uma boa alimentação para funcionar a mil. Para que isso ocorra sem percalços, a oferta de seu principal combustível, a glicose, deve se dar na medida certa. Sem esse açúcar, os neurônios não funcionam direito. Afinal, falta energia. E a melhor maneira de garantir um bom aporte de glicose é ingerir os chamados carboidratos complexos, encontrados em pães e massas integrais. “Após serem metabolizados, esses carboidratos se quebram até na sua menor parte, a glicose, que entra na célula para a produção energética”, explica a nutricionista Tânia Rodrigues, diretora da RGNutri Consultoria Nutricional, de São Paulo.
Além de fornecer combustível para o cérebro, esses alimentos são assimilados de uma forma mais lenta do que os refinados, o que previne os picos de glicose no sangue – o gatilho para a produção elevada de insulina, o hormônio responsável por botar o açúcar para dentro das células. Em geral, essas altas são seguidas por uma rápida queda. Daí, essa gangorra açucarada desarticula todas as funções sensoriais do cérebro, além de prejudicar a comunicação entre os neurônios e até a memória. Só para ter uma ideia, quando o açúcar despenca na circulação, quadro chamado pelos médicos de hipoglicemia, é como se o cérebro mandasse parar tudo. Não por acaso, surge aquela sensação de sonolência.
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Para manter a massa cinzenta bem nutrida, Tânia recomenda fracionar as refeições (seis ao dia) e manter a alimentação mais saudável e variada possível, dando especial atenção ao café da manhã. Isso porque ao longo das horas em que passamos dormindo, nosso corpo enfrenta um longo período de jejum, gastando o combustível armazenado. “O resultado disso é a diminuição da oferta de energia, fundamental para fornecer ao cérebro energia e disposição durante o dia.” Sem contar que o consumo regular de carboidratos ajuda o equilíbrio emocional. As pesquisas mais recentes demonstraram que eles estimulam a produção de uma substância por trás do bem-estar da cuca, a serotonina. Sua deficiência, por outro lado, leva a mudanças de humor e a quadros de depressão.
Uma dieta balanceada é um presente para o bom funcionamento estrutural e bioquímico do cérebro, como mostram as pesquisas na área. Dessa forma, além dos carboidratos, não podem faltar nutrientes como o ômega-3, aquele presente em generosas doses no salmão, no atum e na linhaça. Essa gordura é uma aliada da memória e afasta a irritabilidade¬, além de desordens mentais mais sérias. Ferro, zinco, ácido fólico e vitaminas A, B6, B12 e C, assim como aminoácidos, também são fundamentais para manter a inteligência, a capacidade de recordar os fatos da vida e facilitar o aprendizado. Uma boa opção é incluir no desjejum cereais integrais, um caldeirão de substâncias como a vitamina B6. Essa miscelânea vitaminada ajuda a troca de informações entre os neurônios e o bom funcionamento da memória.