Foto: Fabio Castelo / Objetos: Andréa Silva
Segundo análises da farmacêutica Elede Martins Elias, da Universidade Federal de Campinas, a Unicamp, a maioria das farinhas está de acordo com o que é determinado pela legislação, ou seja, para cada 100 gramas do alimento há, no mínimo, 150 microgramas de ácido fólico e 4,2 miligramas de ferro.
"Mas precisamos de novos estudos para verificar se esses valores são os mais adequados para a nossa população", diz Elede. A cientista acredita que pode ser necessário aumentar a quantidade da dupla de nutrientes, já que existem grandes carências entre os brasileiros.
No nosso país, por determinação do governo, a farinha de trigo passou a ser fortificada com a substância a partir de 2002. Mas nos Estados Unidos esse tipo de medida já é parte da rotina há muito tempo. No Chile, o alimento é enriquecido desde o ano de 1951.
O uso da farinha de trigo como veículo para o combate desse tipo de problema é eficaz justamente porque se trata de um produto que alcança as mais diversas populações e está no dia a dia das famílias.
Em todos os programas de fortificação, o ferro é sempre o primeiro nutriente a ser incorporado. Isso acontece por causa da alta prevalência de anemia, principalmente entre crianças e gestantes. O mineral participa de atividades que vão desde o transporte de oxigênio pelo organismo até a participação no desenvolvimento de células do sistema imune. Quem está com níveis inadequados acaba mais suscetível a infecções, desânimo e dificuldades cognitivas.
E o que dizer do ácido fólico? Sua atuação mais marcante é, sem dúvida, no desenvolvimento do feto. A vitamina é capaz de barrar danos ao sistema nervoso que podem causar paralisia e problemas mentais. E é importante que os níveis de folato sejam satisfatórios desde a fecundação, quando as células do embrião começam a se multiplicar.