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Por Martha San Juan França
Campeão de popularidade, o trigo é uma gramínea do gênero Triticum, que está entre as plantas mais cultivadas do planeta. Versátil, o Triticum se divide em 30 tipos, que possuem diferenças genéticas em número suficiente para serem considerados espécies distintas ou subespécies. Metade é cultivada e o restante cresce de forma silvestre. Cruzando variedades diferentes ao longo do tempo, plantadores e pesquisadores em todo o mundo testaram milhares de combinações para avaliar a produtividade, o conteúdo de farinha no grão, a resistência às doenças, a adaptação a solos e clima e até mesmo a aparência física. Chegaram a produzir algo como 30 mil variedades da planta. Mas a grande maioria – mais de 90% do trigo cultivado no mundo – corresponde a três espécies, cada uma mais adequada a um tipo de alimento.
O Triticum aestivum é responsável por mais de quatro quintos da produção mundial, sendo, por isso, chamado de trigo comum. Não é de estranhar, sendo o mais utilizado na fabricação do pão. Pois, embora os grãos de trigo representem uma fonte de alimento completa em termos nutricionais (não falta nada em sua constituição, do carboidrato do amido aos minerais, passando por vitaminas, gorduras e proteínas), a proporção dessas substâncias varia bastante. No caso do aestivum, mais particularmente do Triticum aestivum L., o mais consumido no Brasil, o teor de proteína é maior (em torno de 15%).
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Há ainda o T. compactum, ou o tipo clube, cujo arranjo de proteínas da ordem de 8%, produz menor teor de glúten, substância por trás do crescimento e da textura dos produtos feitos com farinha. É a espécie ideal para a fabricação de biscoitos e bolos mais macios e menos crocantes. Já as massas pedem outra versão do trigo, o Triticum durum, que forma um glúten mais resistente, permitindo uma textura firme após o cozimento. Hoje em dia, no Brasil, o grão duro não é cultivado e, portanto, o trigo comum adaptado é a matéria-prima mais empregada para a produção de massas.
Originalmente, as grandes regiões produtoras de trigo estavam nas zonas de clima temperado e de chuvas moderadas, como Rússia, Estados Unidos, países da Europa Ocidental, Canadá, Austrália e Argentina. Mas, devido à seleção de produtores e, mais recentemente, às pesquisas científicas, a cultura passou a ocupar áreas cada vez maiores e mais produtivas. Um marco importante nessa história foi o trabalho desenvolvido nos anos 1960 no México, reconhecido com o Prêmio Nobel da Paz, outorgado a um de seus idealizadores, o cientista Norman Borlaug, considerado o pai da Revolução Verde. O trabalho permitiu o desenvolvimento de cultivares de trigo no México, na Índia, na China e no Paquistão, além de países africanos, e influenciou profundamente a produção brasileira.
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Hoje, a produção mundial é da ordem de 650 milhões de toneladas, segundo a FAO. O Brasil produz 6 milhões de toneladas, mas nosso consumo é de 10 milhões de toneladas.
Veja quem foram os principais produtores e os maiores consumidores de trigo no ano de 2008
Produtores
1º União Europeia..................151.568*
2º China...........................113.000
3º Índia...........................78.600
4º Estados Unidos..................68 026
5º Rússia..........................63.700
O Brasil está em 16º, com 6 015
* Em mil toneladas
Consumidores
1º União Europeia..................127.500*
2º China...........................102.500
3º Índia...........................70.300
4º Rússia..........................41.200
4º Estados Unidos..................34.046
O Brasil está em 11º, com 10 700
* Em mil toneladas