Foto: Bruno Gabrieli
Análises sobre o comportamento do brasileiro em relação à alimentação apontam para o crescimento no consumo de produtos práticos, ou seja, de pratos que não interferiram muito com a correria do cotidiano. Mas é indispensável que haja um equilíbrio de nutrientes a fim de evitar carências.
Convidamos o nutrólogo Mauro Fisberg, professor da Universidade Federal de São Paulo, para comentar essas tendências e apontar o que não deve faltar à mesa.
Confira, agora, a entrevista:
Trigoésaúde: Que tipo de mudança tem ocorrido em relação à alimentação no nosso país?
Mauro Fisberg:
Nas últimas décadas, observamos o aumento no consumo de alimentos industrializados, com destaque para os produtos práticos. Também é possível afirmar que houve um crescimento nas refeições feitas fora de casa. Até mesmo o café da manhã tem sido consumido em padarias e outros estabelecimentos.
Trigoésaúde: Por falar em café da manhã, qual seria a sua sugestão para que ele seja completo?
Mauro Fisberg:
Primeiro, é preciso incentivar aqueles que não dão a mínima para essa refeição. O café da manhã é indispensável para o bom o funcionamento do organismo após uma noite de sono. Comer direito logo cedo melhora a concentração e permite o bom desempenho no trabalho e na escola.
É importante que haja uma fonte de carboidrato, que pode ser desde o pãozinho até cereais matinais e biscoitos. Aliás, é sempre melhor optar pelas versões com grãos integrais.
À mesa também é preciso ter um alimento que forneça cálcio e proteína e, nesse caso, os iogurtes e o leite semidesnatado são ótimas opções. E, por fim, é essencial incluir uma fruta para garantir fibras e vitaminas.
Essas sugestões valem tanto para quem come em casa como para aqueles que optam por fazer a refeição fora
Trigoésaúde: E quanto às outras refeições, o que é preciso observar ao comer fora?
Mauro Fisberg:
Em restaurantes "por quilo", existe uma boa oferta de vegetais, que enchem o prato de nutrientes fundamentais ao organismo. É preciso tomar cuidado com opções de carnes muitos engorduradas e outra dica é colocar no prato apenas uma fonte de carboidrato. Assim, se escolher uma massa, não vale incluir arroz ou batata, por exemplo.
Trigoésaúde: E para aqueles que escolhem comer em casa e lançam mão de comida pronta, como algumas massas, qual seria a sua sugestão?
Mauro Fisberg:
Vale combinar as massas com molhos à base de vegetais e dar preferência sempre às versões integrais. Outra sugestão é observar no rótulo o teor de sódio, que costuma ser exagerado em alguns produtos prontos. Lembre que o excesso de sal pode prejudicar a circulação e servir de gatilho para o aumento da pressão arterial.
Trigoésaúde: O senhor poderia comentar o movimento do governo e da indústria com relação à diminuição nos teores de sódio e gordura trans nos alimentos?
Mauro Fisberg:
É um grande desafio, já que será preciso mudar a formulação dos produtos e adequar ao paladar do brasileiro. Mas, sem dúvida, esse tipo de medida trará benefícios à saúde da população.
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